Para finalizar o ciclo de estudos, a professora Raquel Correia aborda o Jornalismo Cultural.A aluna Raquel Zandomeneghi contribuiu com essa postagem, discorrendo acerca das curiosidades sobre a área cultural do jornalismo.
Os primeiros impressos que indicam a cobertura de obras culturais datam de 1665 a 1684, foram os jornais “The Transactions of the Royal Society of London” e “News of Republic of Letters” que cobriam obras literárias e artísticas. De acordo com os idealizadores do “The Spectator” (1711) - representante mais conhecido do Jornalismo Cultural -, seu objetivo era “trazer a filosofia para fora das instituições acadêmicas para ser tratada em clubes e assembléias, em mesas de chá e café”.
Ao longo dos anos o conceito de cultura mudou. A Escola de Frankfurt criou o conceito de indústria cultural, com uma percepção apocalíptica do fim da separação entre as esferas de arte superior e inferior. Os Estudos Culturais, por outro lado, buscam romper com a distinção entre cultura de elite e cultura popular, incluindo no conceito de cultura todas as expressões e valores de um povo. Na Conferência Mundial sobre Políticas Culturais realizada no México em 1982 o conceito de cultura foi estabelecido como um conjunto de traços distintivos que caracterizam um determinado grupo social. Contempla as artes, literatura, modos de vida, direitos fundamentais do homem, sistemas de valores e símbolos, tradições, crenças e o imaginário popular.
O jornalista cultural deve evitar, nesse sentido, uma distinção maniqueísta entre “alta” e “baixa” cultura. Para isso, é preciso que tenha uma postura mais reflexiva, democrática e menos preconceituosa. O que caracteriza o jornalismo cultural como uma prática singular e importante para a sociedade é a necessidade de democratizar o conhecimento e seu caráter reflexivo. E mais, é o caráter reflexivo que distingue o jornalismo cultural de outras editorias.
Como a cultura está em tudo e dialoga com diferentes disciplinas humanísticas, não pode ser analisada de forma isolada. Portanto, e levando em conta que o jornalista atua como um mediador cultural, o profissional precisa ter capacidade de compreensão das obras analisadas e, para tanto, precisa buscar conhecimento em outras disciplinas, como Filosofia e Antropologia, e estar atento à política e economia. Cabe ao jornalista traduzir uma realidade complexa em formas simbólicas acessíveis, sem que com isso empobreça a informação.
Atualmente as publicações culturais raramente são raramente o impulsionador da notícia. Normalmente as notícias se dão no sentido de divulgar as atividades programadas por alguma organização. Sendo assim, a cultura é subordinada ao ato da divulgação, sem espaço para crítica ou interpretação. Nesse sentido, torna-se diferenciador a cobertura de acontecimentos específicos e a abordagem diferenciadora daqueles que podem ser divulgados por todos os media.
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